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23/05/2026A ativista brasileira Beatriz Moreira, de 23 anos, afirmou ter sido agredida por militares israelenses após a interceptação de uma flotilha humanitária que seguia em direção à Faixa de Gaza. Integrante do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), ela estava a bordo do barco Amazon, abordado por forças de Israel na segunda-feira (18).

Ela integrou o grupo de mais de 400 ativistas detidos e posteriormente deportados para a Turquia. Os quatro brasileiros da missão desembarcaram em Istambul na quinta-feira (21). Natural de Belém (PA), Beatriz atua como educadora e participou da organização da Cúpula dos Povos durante a COP30, realizada na capital paraense em novembro do ano passado.
Violência começou na abordagem
Ela relatou que os episódios de violência começaram ainda durante a abordagem da embarcação, que transportava nove mulheres e um homem quando foi cercada por uma lancha com 11 soldados israelenses a mais de 250 milhas náuticas da costa de Gaza.
Segundo a ativista, os militares interromperam os sistemas de comunicação do grupo antes da abordagem. “Já vínhamos acompanhando pelo rádio e nossas comunicações internas, mas eles usaram antenas que cortam o sinal de internet. Na hora, achamos que nem as câmeras estavam funcionando, pois não conseguimos fazer live”, afirmou.
Disparos de bala de borracha
Após a captura, os passageiros foram transferidos para um navio-prisão. Beatriz descreveu condições precárias durante os dois dias de detenção. “Não havia condições básicas de sobrevivência. Tinha que fazer motim para ter água. O pão era congelado e eles molhavam o chão para ficarmos com frio. Eram pelo menos 60 pessoas dormindo amontoadas em contêineres”, relatou.
A brasileira também afirmou que os detidos eram alvo de disparos com balas de borracha. “Se a gente cantasse ‘Palestina Livre’ a resposta era imediata: eles vinham com bala de borracha. No navio em que eu estava, três pessoas ficaram feridas, e não havia medicamentos.” Segundo ela, os episódios mais graves ocorreram após a embarcação atracar em um porto israelense.
Agressões físicas e ofensas
“Quando nós atracamos no porto, começou a parte mais violenta. Eles chamavam a gente pelo passaporte e a gente ia saindo. Eu consegui ouvir os gritos, eram assustadores, especialmente das pessoas do Sul Global. Eles tinham um tratamento muito mais violento com os turcos”, disse. A ativista acrescentou: “Quando alguém era torturado, a gente gritava e eles reagiam com bala de borracha na gente.”
Ao deixar o navio, Beatriz afirma que sofreu agressões físicas e ofensas. “Fomos algemados [com lacres de plástico] e apertaram muito os meus pulsos, me puxaram de toda forma, me seguraram de uma forma que não conseguia respirar. Me jogaram no chão, me chamaram de puta, bateram minha cabeça num ferro.”
Gritos das pessoas sendo torturadas
Ela também relatou violência durante uma revista. “Fizeram uma revista pesada. Eu, já bem machucada, fui levada para uma tenda maior, com mais pessoas, e só escutava os gritos das pessoas sendo torturadas.”
A ativista declarou ainda que os detidos eram submetidos a situações de humilhação. “Colocaram a gente de joelho com a cabeça no chão, e o hino de Israel tocando. Os mais agressivos eram os jovens. O pior deles devia ter 19 anos.”
Segundo ela, os presos também foram pressionados a assinar documentos reconhecendo situação migratória irregular, o que recusou fazer. “Em todas as outras flotilhas, um nível de violência como esse nunca tinha sido observado. Eles querem fazer dessa flotilha um exemplo, mas a gente vai continuar navegando, sim.”
Estupros contra ativistas detidos
As acusações foram reforçadas nesta sexta-feira (22) pela organização responsável pelas flotilhas, que denunciou agressões e estupros contra ativistas detidos. Em resposta, o serviço prisional israelense negou as acusações.
O MAB informou ainda que o médico brasileiro Cássio Pelegrini, integrante da missão, precisou ser internado em Istambul por ferimentos que, segundo a entidade, teriam sido provocados por tortura. Os organizadores afirmam que pretendem continuar as ações de ajuda humanitária por via terrestre a partir da Líbia.
Fonte DCM




