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17/07/2026Os pastores evangélicos Wenderson Lima de Souza, de 32 anos, e Arielly Kamila Moraes de Souza, de 24 anos, investigados por estuprar ao menos seis meninas em Roraima, tiveram a prisão preventiva decretada pela Justiça e está foragido. O casal usava a fé e a posição de liderança religiosa para manipular as vítimas, segundo a Polícia Civil.
O casal de pastores usava a fé e a posição de liderança religiosa para manipular as vítimas, segundo a Polícia Civil. A dupla havia sido indiciada na quarta-feira (15).
Conforme a investigação, os suspeitos convenciam as meninas de que os atos sexuais faziam parte de um propósito espiritual e ofereciam dinheiro e outras vantagens para manter o silêncio. A Polícia Civil identificou seis vítimas, com idades entre 12 e 17 anos. Outras cinco mostraram indícios de terem sido vítimas, mas optaram por não prestar depoimento oficial.
Além disso, o casal oferecia PIX e outras vantagens, como jantares, para manter as adolescentes em silêncio. De acordo com a Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA), as práticas sexuais eram fruto de uma cadeia sistemática de manipulação, abuso de autoridade religiosa, chantagem e coerção psicológica, o que afasta qualquer alegação de voluntariedade e reforça a gravidade dos crimes praticados, em razão do temor reverencial, explicou a polícia.
Crimes investigados
Wenderson é investigado por seis crimes: estupro de vulnerável, importunação sexual, favorecimento da exploração sexual de adolescente ou pessoa vulnerável, registro não autorizado de intimidade sexual, fraude processual e falsidade ideológica. Arielly responde por estupro de vulnerável, importunação sexual e fraude processual.
A investigação contra o casal começou em abril, a partir da denúncia de uma adolescente, de 14 anos. Depois, outras cinco vítimas relataram que também tinham sido abusadas pelo casal.
O esquema funcionava por meio de manipulação psicológica e religiosa. A investigação revelou que a pastora atraía e se aproximava das vítimas, enquanto o marido utilizava a posição de líder religioso e interpretações de passagens bíblicas para convencê-las de que os atos sexuais tinham propósito espiritual.
Crimes contavam com ambiente de confiança e fé
No inquérito final da investigação, a delegada Kamilla Basto, explicou que o trabalho foi desafiador porque os crimes envolveram o ambiente de confiança e fé, o que impedia que manifestassem um consentimento livre para os atos.
O casal, ainda conforme a polícia, por ocupar a posição de líderes, desencorajava denúncias ao fazer com que fiéis e vítimas temessem ser acusados de rebeldia na igreja.
A Polícia Civil afirma que esse receio era reforçado por uma regra prevista no estatuto da igreja, que previa o desligamento de membros que promovessem dissidências ou se rebelassem contra a autoridade religiosa.




