Eduardo Bolsonaro homenageou nos EUA assessor de Milei que tentou matar a ex

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Eduardo Bolsonaro elogiou o argentino Fernando Cerimedo como um “bravo argentino” durante a Hispanic Prosperity Gala, realizada em fevereiro de 2026 no Mar-a-Lago, resort de luxo de Donald Trump, em Palm Beach, na Flórida. No palco, diante de um painel do Latino Wall Street, o filho de Jair Bolsonaro apresentou o consultor político e o associou aos ataques bolsonaristas ao resultado das eleições de 2022.

Na última terça-feira (18), Cerimedo foi preso na Bolívia após encomendar o assassinato de Nadia Beller, sua ex-esposa. Na ocasião, o aliado do ex-deputado foi detido no aeroporto de Viru Viru quando tentava fugir para a Argentina. A vítima resistiu aos três tiros que sofreu pelas costas.

“Tenho grande prazer e honra em chamar ao palco Fernando Cerimedo, um bravo argentino que teve a coragem de denunciar as coisas ruins que acontecem no mundo”, disse Eduardo na ocasião.

Eduardo afirmou que Cerimedo teria ajudado o Brasil ao divulgar “possíveis fraudes eleitorais” a partir da Argentina. As alegações do argentino sobre urnas eletrônicas, difundidas após a derrota de Jair Bolsonaro para Lula, eram falsas e contrariavam os procedimentos de auditoria e fiscalização da Justiça Eleitoral.

O deputado também atacou o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, e disse, sem apresentar provas, que o magistrado teria tentado vinculá-lo a Cerimedo para prendê-lo. “Nós não temos medo do senhor. Ele prendeu meu pai”, afirmou, antes de projetar uma vitória eleitoral de Flávio Bolsonaro em outubro.

Cerimedo recebeu prêmio de consultor político do ano

Depois da introdução de Eduardo, Cerimedo discursou por cerca de três minutos. Ele agradeceu à organização e declarou que sua equipe teria vencido eleições na Bolívia e em Honduras, além de defender uma “batalha cultural” contra a esquerda na América Latina.

O argentino também publicou uma foto em que recebe o prêmio de “consultor político do ano” na mesma gala. Na mensagem, agradeceu à equipe da Numen Publicidad e a apoiadores, e escreveu: “Viva a democracia! Viva a liberdade!”.

Cerimedo ganhou projeção no bolsonarismo em novembro de 2022, quando fez uma transmissão com um suposto dossiê contra modelos de urnas eletrônicas. A live ultrapassou 400 mil espectadores, e parte dos argumentos apareceu depois em uma ação do PL que tentou invalidar votos e questionar a vitória de Lula; o Tribunal Superior Eleitoral rejeitou a tese.

A Polícia Federal indiciou Cerimedo em novembro de 2024 por suspeita de organização criminosa, golpe de Estado e abolição violenta do Estado Democrático de Direito, no núcleo de desinformação da trama golpista. A Procuradoria-Geral da República não o incluiu na denúncia porque a apuração não reuniu provas suficientes de que ele sabia que divulgava informações falsas ou integrava um plano para impedir a posse de Lula.

Em agosto de 2026, autoridades bolivianas prenderam Cerimedo no aeroporto de Viru Viru, em Santa Cruz de la Sierra, quando ele tentava embarcar para Buenos Aires. A investigação o acusa de encomendar o assassinato de Nadia Beller, advogada e ativista descrita pelas autoridades como sua ex-esposa; a acusação não aparece no vídeo da gala.

Antes de atuar na Bolívia como assessor do presidente Rodrigo Paz, Cerimedo recebeu na Argentina, em 2016, condenação de dois anos e seis meses de prisão condicional por fraude e estelionato. O jornal La Nación relatou que ele vendeu o mesmo apartamento, em Mar del Plata, para duas pessoas diferentes.

Fonte DCM

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