
Justiça mantém arquivamento de pedido de CPI sobre serviços dos cartórios em SC
26/08/2026
Eclipse parcial da Lua nesta quinta-feira será visto em todo o Brasil
27/08/2026Um lago formado no local onde ocorreu a enchente no Nepal está subindo e corre o risco de transbordar, informou nesta quinta-feira (27) a autoridade responsável por desastres do país, ao apelar para que moradores e equipes de resgate se mantenham afastados das margens do rio.

O bloqueio de um rio na quarta-feira levou à formação do lago, segundo a autoridade.
Mudanças climáticas
Para cientistas, as mudanças climáticas estão levando a condições que podem desestabilizar as rochas e o gelo nas altas montanhas, aumentando as chances de desastres como a enchente ocorrida nesta quarta-feira (26) no Himalaia, ao longo da fronteira entre o Nepal e o Tibete, que causou a morte de centenas de pessoas.
Pelo menos 800 estrangeiros estão entre os quase 1,5 mil desaparecidos, informaram as autoridades, um dia após uma enorme parede de lama e rochas desabar em um rio do Himalaia, provocando inundações catastróficas em cidades e vales.
“As mudanças climáticas estão gerando condições que podem desestabilizar rochas e gelo nas altas montanhas”, afirmou Simon Cox, cientista-chefe do programa Mountains to Sea da Earth Sciences New Zealand.
Isso, por sua vez, torna mais frequentes os desabamentos e os riscos em cascata do tipo observado nesta semana, acrescentou ele.
Embora a causa exata do desastre de quarta-feira ainda esteja sendo analisada, os cientistas afirmam que ele provavelmente teve início com uma enorme avalanche de gelo e rochas nas encostas norte do pico Langtang Lirung, no Nepal, que desceu até o rio Lhende Khola, no lado tibetano.
Danos
Pelo menos seis grandes usinas hidrelétricas e infraestruturas no centro comercial do Porto de Gyirong foram danificadas em uma cadeia de riscos em várias etapas que atravessou fronteiras, desencadeada pelo desabamento inicial.
O desabamento também alterou os leitos dos rios a mais de 100 km rio abaixo, perto da fronteira com a Índia.
Embora os especialistas alertem contra a descrição das mudanças climáticas como o único e imediato gatilho para o desabamento de ontem, eles afirmam que o aumento das temperaturas e o derretimento das geleiras provavelmente contribuíram para o desastre.
O aquecimento pode reduzir o suporte do gelo em encostas íngremes, aumentar o volume de água de degelo e alterar os padrões de congelamento, degelo e precipitação, o que pode enfraquecer as encostas das montanhas e tornar mais prováveis grandes desabamentos em alguns pontos, acrescentou Cox.
Inundações, deslizamentos de terra, avalanches e secas estão aumentando em frequência e intensidade em toda a cordilheira do Hindu Kush.
As mudanças cada vez mais rápidas na água, na terra e no ar representam uma grande ameaça para as pessoas da região, afirma o Centro Internacional para o Desenvolvimento Integrado das Montanhas (ICIMOD), com sede no Nepal.
O aumento das temperaturas nas montanhas torna a criosfera — ou a parte da superfície terrestre coberta de gelo — muito mais vulnerável do que no passado, disse Farooq Azam, especialista sênior em criosfera do ICIMOD.
Ele afirmou acreditar que o derretimento intenso da neve, aliado à atividade sísmica, provavelmente desencadeou a avalanche inicial de rochas e gelo que resultou na enchente repentina de quarta-feira.
Tendência alarmante
A tendência de longo prazo parece alarmante: as Nações Unidas afirmaram, em 2023, que o aquecimento global fez com que as montanhas nevadas do Nepal perdessem quase um terço de sua cobertura de gelo em pouco mais de 30 anos.
Acrescentou, na época, que as geleiras no Nepal haviam derretido 65% mais rápido na década anterior do que na década anterior a essa.
O desastre de quarta-feira pode ser um exemplo clássico de um “evento composto”, disse Benjamin Horton, reitor da Escola de Energia e Meio Ambiente da City University de Hong Kong.
Isso acontece quando um terremoto interage com mudanças impulsionadas pelo clima, como a perda de geleiras, o degelo do permafrost e a instabilidade de encostas, para “criar um desastre mais complexo e devastador do que aquele que ocorreria com qualquer um desses fatores isoladamente”, acrescentou ele.
Compreender esses riscos em cascata será essencial para melhorar a resiliência em regiões de alta montanha, disse Horton.




