
“Verdade prevalecerá”, diz número 2 da Polícia Federal após afastamento de Andrei
08/09/2026O doleiro de Daniel Vorcaro, Antonio Carlos Freixo Júnior, o Mineiro, confirmou à Procuradoria-Geral da República ter transferido R$ 69 milhões ao fundo Havengate, nos EUA, tocado pelo advogado de Eduardo Bolsonaro. A informação foi revelada por Malu Gaspar e Rafael Moraes Moura, no jornal O Globo hoje. Mineiro também relatou ter entregue malas de dinheiro para terceiros a pedido de Vorcaro, ressaltando que não saberia a finalidade desse apetitoso delivery.
Em comício eleitoral na avenida Paulista ontem, Flávio Bolsonaro e aliados lembraram dos mais de R$ 130 milhões do contrato entre a esposa do ministro Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro, mas descaradamente esqueceram dos mais de R$ 130 milhões que Flávio Bolsonaro pediu (e cobrou, depois cobrou, depois cobrou de novo) do banqueiro. Dinheiro que não era privado, mas fruto da roubalheira do Master em fundos de previdência e no Banco de Brasília.
Há 130 milhões de razões para criticar o relacionamento promíscuo entre Moraes e Vorcaro, tal como há 130 milhões de razões para criticar o relacionamento promíscuo de Flávio e Vorcaro. Faça o que digo, não faça o que eu faço, é totalmente aplicável aqui.
Há algo de quase pedagógico nessa história, pois quando o dinheiro ronda o adversário, vira escândalo e quando ronda os amigos, vira contexto, coincidência, contrato, produção audiovisual e, se necessário, silêncio.
Flávio Bolsonaro pode e deve cobrar explicações sobre qualquer relação obscura envolvendo Daniel Vorcaro. Só fica menos convincente quando faz isso sentado em cima de uma montanha de relações igualmente constrangedoras com o mesmo banqueiro. A régua moral, pelo visto, é retrátil.
Se os R$ 130 milhões servem para levantar suspeitas de um lado, também servem do outro. Se transferências milionárias para o exterior exigem transparência quando envolvem adversários, exigem exatamente a mesma transparência quando passam pelo entorno da família Bolsonaro. Não é uma questão ideológica.
No Brasil, a corrupção sempre conta com uma tropa dedicada a explicar por que, desta vez, o dinheiro suspeito não é tão suspeito assim. O problema é que mala não vota e não faz discurso na Paulista. Mala só carrega dinheiro.
Em tempo: Como no Brasil, os vazamentos costumam ser seletivos, vamos sabendo o que acontece com o dinheiro que fluiu para o clã Bolsonaro a conta-gotas graças ao trabalho investigativo da imprensa. E aqui, vale o destaque para veículos como Intercept Brasil, revista piauí e ICL Notícias. Vazamentos em massa, só os que ajudam Flávio.
Fonte DCM




