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21/04/2026A crise na Argentina atingiu um patamar de desespero que desafia a lógica do século XXI. Após o choque provocado por imagens recentes que mostram o aumento assustador do consumo de carne de burro no país, com repórteres de emissoras, como a TV La Nación +, sendo levados a degustar a “iguaria” diante das câmeras por falta de outras opções proteicas, novos relatos indicam que a fome está empurrando a população para medidas ainda mais extremas: o consumo de animais domésticos e até de madeira.
Colapso social nas ruas: o caso de Córdoba
Uma reportagem devastadora do Canal 10, da cidade de Córdoba, revelou uma face cruel da miséria urbana sob a gestão atual. O registro de pessoas em situação de rua recorrendo ao abate e consumo de gatos para aplacar a fome gerou uma onda de choque nas redes sociais, simbolizando o esgotamento dos recursos mínimos de sobrevivência.
O que antes era um cenário isolado de vulnerabilidade extrema tornou-se, segundo observadores locais, um sintoma de um país cujas redes de proteção social foram sistematicamente desmanteladas em nome de um ajuste fiscal implacável.
Vídeo da reportagem sobre os gatos que viram comida:
Los Cordobeces se hicieron los Liberales antiperonistas y ahora están comiendo gatos…
Esto salió en el canal 10 de esa provincia. pic.twitter.com/LQhyb7Ff3B— 𝐀𝐑𝐆𝐄𝐍𝐓𝐈𝐍𝐀 𝐇𝐎𝐘 🎙🎧📻📰 🇦🇷 🌟🌟🌟 (@Antonio27591643) April 20, 2026
Única madeira comestível do mundo vira recurso de sobrevivência
Enquanto nas cidades o desespero se volta para os animais de rua, nas zonas rurais e no nordeste do país, a natureza oferece um último e amargo recurso. Reportagens e postagens que circulam com força nas redes mostram que o consumo da yacaratiá cresceu exponencialmente.
Típica da região de Misiones, a yacaratiá é conhecida como a única madeira comestível do mundo. Embora seu uso não seja uma novidade absoluta, sendo historicamente utilizada em experimentos gastronômicos ou produtos artesanais de nicho, o que se vê agora é uma mudança drástica de finalidade. O tronco da árvore, rico em fibras e minerais, deixou de ser uma curiosidade culinária para se tornar uma necessidade calórica para famílias que já não conseguem comprar o básico no mercado.
O “laboratório” de Milei e as promessas não cumpridas
A Argentina completa quase dois anos e meio sob o comando de Javier Milei, o ultraextremista de direita que ascendeu ao poder prometendo uma revolução liberal. Aliado de primeira hora de figuras como Jair Bolsonaro e declaradamente submisso aos interesses de Donald Trump, Milei transformou o país em um verdadeiro laboratório para experiências macroeconômicas neoliberais radicais.
O cenário atual revela o reverso do “milagre” anunciado em campanha: preços em níveis inacreditáveis que impedem o acesso a itens essenciais da cesta básica, como leite e carne bovina, enquanto uma parcela vasta da classe média e da população pobre é empurrada para a miséria absoluta. Nesse contexto de vulnerabilidade total, o governo mantém um ciclo de promessas mensais sobre uma suposta melhora iminente, mas a realidade mostra indicadores sociais em queda livre e uma crise que se aprofunda continuamente.
Fonte Revista Fórum




