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12/10/2026
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12/10/2026Ignorado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o canal “Tropa do Flávio”, criado no WhatsApp para mobilizar apoiadores do senador Flávio Bolsonaro (PL), divulgou conteúdos enganosos sobre a manifestação em apoio ao presidente Lula realizada neste domingo (11), na Avenida Paulista, em São Paulo. Entre as publicações está um vídeo gravado no Chile, apresentado como se mostrasse uma manifestante consumindo uma suposta substância ilícita durante o ato brasileiro.
O canal tem cerca de 1,3 milhão de seguidores e compartilhou imagens antigas de pichações e depredações na Avenida Paulista como se fossem registros recentes da mobilização pró-Lula.
Uma das publicações compartilhadas pelo grupo exibe uma mulher de cabelos vermelhos aparentemente aspirando uma substância branca. O conteúdo foi acompanhado da chamada: “Militantes usando substâncias supostamente ilícitas em manifestação”.
As imagens, no entanto, não foram produzidas no Brasil. Conforme a apuração do repórter Renato Souza, o vídeo foi gravado durante uma manifestação no Chile e posteriormente divulgado pelo canal bolsonarista como se retratasse o ato realizado na capital paulista.
Canal do candidato Flávio Bolsonaro no WhatsApp é usado para espalhar desinformação sobre ato na Paulista. Vídeo de manifestação no Chile, em que mulher foi vista supostamente aspirando uma substância branca, foi publicado como se tivesse ocorrido em São Paulo. Em outro post,… pic.twitter.com/IZ07NiKAPc
— Renato Souza (@reporterenato) October 12, 2026
O canal também compartilhou registros antigos de pichações e danos ao patrimônio na Avenida Paulista, apresentados como se fossem imagens atuais da manifestação em defesa de Lula.
TSE suspendeu canal ligado a Janones a pedido da campanha de Flávio
Horas antes, o presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, havia determinado a suspensão do “Exército do Lula”, canal criado pelo deputado federal André Janones (Rede-MG), após solicitação da campanha de Flávio Bolsonaro.
O grupo reunia mais de 3 milhões de seguidores. A campanha bolsonarista acusava Janones de organizar uma estrutura voltada à disseminação de desinformação.
O corregedor-geral da Justiça Eleitoral, ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, que já examinava o caso, havia solicitado informações adicionais e provas antes de decidir sobre as providências requeridas.
Janones, por sua vez, afirmou que o canal ainda estava em fase de mobilização e que não havia publicado nenhuma notícia.
Poucas horas depois da suspensão, Cueva derrubou a decisão de Nunes Marques e determinou o restabelecimento imediato do “Exército do Lula”. Segundo o relato da Revista Fórum, o corregedor considerou insuficientes os elementos apresentados para justificar uma medida de tamanha abrangência.
Manifestação pró-Lula ocupou vários quarteirões da Paulista
A circulação das publicações enganosas ocorreu após uma grande mobilização de apoio a Lula na Avenida Paulista. Batizado de Marcha pela Democracia, o ato reuniu estudantes, movimentos sociais, torcidas organizadas e apoiadores do presidente, ocupando vários quarteirões da principal via da capital paulista.
A campanha de Lula estimou a presença de mais de 1 milhão de pessoas. Não houve, contudo, uma contagem independente conclusiva que confirmasse esse número.
O Monitor do Debate Político da Universidade de São Paulo (USP), em parceria com o Cebrap, não conseguiu produzir sua estimativa porque não obteve autorização para realizar o sobrevoo da área com drones.
Outros veículos também registraram a dimensão da manifestação. O UOL relatou que sete quarteirões estavam lotados, enquanto a Folha de S.Paulo informou que, em determinado momento, a ocupação chegou a 12 quarteirões.




