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17/02/2024Um ciclone raro no Atlântico Sul e com trajetória retrógrada igualmente atípica vai atuar durante os próximos dias em alto mar na costa brasileira, a Leste do Sul do Brasil, conforme a previsão da MetSul Meteorologia. Trata-se de sistema de característica bastante incomum, uma vez que o ciclone tende a ser de natureza tropical na sua fase madura, evoluindo de um sistema subtropical para tropical.
Normalmente, os ciclones que atuam no Atlântico Sul são extratropicais (centro frio). Ocorrem em qualquer época do ano e são muito frequentes. São os sistemas que atuam com as frentes frias e são responsáveis pelo ingresso de massas de ar frio no território brasileiro.
O mais conhecido e ao mesmo tempo destrutivo episódio de um ciclone tropical foi o furacão Catarina do final de março de 2004. Um ciclone que antes foi subtropical e passou a ser tropical, transformando-se em furacão categoria 1 antes de atingir o Sul de Santa Catarina e o Litoral Norte do Rio Grande do Sul com prejuízos à época estimados em mais de um bilhão de reais e ao menos dez mortes.
Já houve tempestades tropicais na costa do Brasil: Anita (2010), Iba (2019) e 01Q (2021). O único ciclone tropical documentado a atingir o status de furacão até hoje foi o Catarina. Foi um furacão classificado no limite superior da categoria 1, que tem vento sustentado entre 119 km/h e 153 km/h, mas com rajadas superiores.
Este ciclone no seu momento inicial será subtropical em sua natureza e será batizado como Akará, o primeiro da nova lista de nomes para designação de ciclones anômalos na costa do Brasil. O nome em Tupi antigo é de uma espécie de peixe.
De acordo com a MetSul Meteorologia, na sequência, o ciclone que inicialmente será subtropical e identificado como uma tempestade subtropical (vento sustentado de 63 km/h ou mais) deve assumir características tropicais, passando a ser uma tempestade tropical (vento sustentado de 63 km/h a 118 km/h), o estágio de um ciclone tropical que precede um furacão.
Análise da Marinha do Brasil da 0Z de hoje já identificou uma depressão subtropical na costa do Sudeste do Brasil. Entre hoje e amanhã, a tendência é desta baixa pressão se aprofundar e passar à condição de tempestade subtropical, momento em que será nomeada como Akará.
A trajetória do ciclone
Todos os modelos numéricos globais analisados pela MetSul Meteorologia convergem em indicar que o ciclone avançará da costa do Sudeste para o litoral do Sul do Brasil numa trajetória Sul-Sudoeste. O ciclone, assim, deve apresentar uma trajetória que se conhece como retrógrada, que é atípica, de Leste para Oeste, quando o normal nos ciclones do Atlântico Sul é um movimento de Oeste para Leste, afastando-se do continente.
O que não está claro hoje ainda é o quanto o sistema vai se aproximar da costa e se ele se permanecerá apenas sobre o oceano, sem tocar terra. Projeções de trajetórias de ciclones tropicais são complexas no mundo inteiro, não à toa o Centro Nacional de Furacões dos Estados Unidos (NHC) utiliza em seus prognósticos e avisos o chamado “cone de incerteza”, delimitando uma área maior de risco à medida que se distancia o período inicial de prognóstico.
A maioria dos modelos de previsão do tempo gerados por computadores indica neste momento que o ciclone não tocaria terra e permaneceria o tempo todo sobre o oceano sem oferecer maior risco ao continente, embora vários aproximem muito o sistema do litoral. Ocorre que os prognósticos dos modelos têm variado a cada rodada, e bastante, ora aproximando mais ou menos o sistema da faixa costeira. A trajetória, assim, ainda é muito incerta.
Fonte: MetSul




