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21/07/2026A Comissão de Urbanismo da Câmara de Vereadores de Joinville, debateu nesta terça-feira (21), o aditivo contratual e a situação das obras da ponte Joinville, que deverá ligar os bairros Boa Vista e Adhemar Garcia, com a expectativa de gerar mais um acesso da população da Zona Sul às demais regiões da cidade.
Representantes da Secretaria de Infraestrutura Urbana (Seinfra) e do consórcio supervisor apresentaram o panorama financeiro, as justificativas técnicas e os imprevistos geotécnicos e logísticos que motivaram as alterações no projeto.
A ponte foi projetada para ter 980 metros de comprimento e 26 metros de largura, englobando pistas, acostamento, ciclovia e calçada com expectativa de atender cerca de 65 mil pessoas diariamente. Segundo a Seinfra, a construção da ponte passa por readequações qualitativas e quantitativas para se ajustar às condições reais identificadas no leito do rio e nas margens.
Durante a reunião, a equipe da Seinfra detalhou as informações sobre o aditivo contratual. O preço base inicial do contrato, de R$ 296 milhões, passou para R$ 353 milhões, representando um aditivo de R$ 57 milhões referente a serviços e adequações não previstos originalmente. Somando-se os reajustes contratuais ordinários ao longo do período, o montante total chega a R$ 393 milhões.
Além do impacto orçamentário, o cronograma de execução sofreu uma extensão do prazo original de 24 meses para 40,87 meses (sim, quase 41). O diretor-executivo da Seinfra, engenheiro Paulo Mendes Castro, ressaltou que os custos de administração local derivados desse tempo extra não foram calculados por uma simples “regra de três” — o que somaria cerca de R$ 34,5 milhões —, mas sim embasados em um rigoroso histograma de mão de obra para refletir a necessidade real de pessoal e estrutura no canteiro.
Soluções de engenharia
A justificativa apresentada para se injetar ainda mais recursos se deveu a complexidades geotécnicas e logísticas encontradas no campo, diferentes das sondagens preliminares da fase de licitação, conforme os técnicos da Seinfra. As dificuldades exigiram soluções de engenharia inesperadas.
Em alguns dos apoios da ponte (mais precisamente os 9, 10 e 11) a equipe identificou uma “zona de transição” de rocha fragmentada com profundidade entre 10 e 15 metros. Ao tentar cravar as camisas metálicas (estruturas utilizadas para permitir a construção da sustentação da ponte) para a fundação, a resistência do solo amassou as estruturas, exigindo remoções, soldas de reforço não previstas e um acréscimo de aço estrutural.
Concreto “correndo”
Outra situação envolveu a linha de bombeamento de concreto. Devido às variações de maré de até dois metros e ao elevado volume exigido por etapa (como a concretagem contínua de 454m³), o transporte de betoneiras por balsas acabou sendo “inviável” e “extremamente perigoso”, nos termos usados pelo engenheiro Paulo Mendes Castro, diretor-executivo da Seinfra. A solução foi a implantação de 1.225 metros de tubulação o para bombeamento do concreto, o que exigiu a construção de mais de 1 mil m de passarelas de madeira sobre o mangue para sustentação e manutenção.
Entretanto, o bombeamento de concreto a distâncias de quase 400 metros exige operação ininterrupta. Uma paralisação da massa pode causar entupimento dos dutos. Para evitar essa situação, a linha exige pré-lubrificação com argila fluida, lavagens constantes e manutenção preventiva diária ao longo das passarelas.
Apoio náutico
Com o avanço das frentes de trabalho a cerca de 300 metros das margens, tornou-se indispensável o uso de apoio náutico (balsas, rebocadores e lanchas). Já na margem do bairro Adhemar Garcia, o solo extremamente pantanoso exigiu a criação de um caminho de serviço reforçado para permitir o tráfego do maquinário pesado, além da instalação de geradores de energia e estruturas para fixação de gruas.
Licenciamento ambiental
O gerente do consórcio supervisor Nova Engevix/Azimute, Edson Rocha Nery, explicou que a logística de suporte fluvial exigiu adequações ambientais. Para garantir área suficiente de transbordo e armazenamento de fôrmas e armações, o consórcio solicitou ao órgão ambiental uma ampliação de aproximadamente 1,8 mil m² na área de supressão vegetal. Com isso, a área total autorizada passou de 8,7 mil m² para cerca de 10,5 mil m².




