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O polêmico e ineficaz tratamento com um kit de medicamentos não específicos para covid-19 (ivermectina, azitromicina, hidroxicloroquina, antritombótico, corticoide e vitaminas), alternativa empregada pelo município de Rancho Queimado para tratamento das pessoas contaminadas com o novo coronavírus, foi assunto da reunião da Comissão de Saúde da Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc), realizada nesta quarta-feira (16). A reunião contou com a participação do médico Armando Taranto Junior, ex-clínico do município, que insiste no tratamento sem comprovação cietífica imediato dos pacientes com teste positivo. A participação do médico foi proposta pelo deputado bolsonarista, Jessé Lopes (PSL).
Armando Taranto Junior defendeu o método que ele chama de “testa e trata”. Na opinião dele, se as pessoas fossem tratadas imediatamente após o diagnóstico de Covid-19 não haveria tantas mortes. “O povo tem que saber que existe um protocolo de remédios que fazem efeito, existe um protocolo de tratamento”. disse o clínico.
Alguns desses medicamentos, como a hidroxicloroquina, têm sua eficácia cientificamente questionada para o tratamento de covid-19, mas o médico argumentou que o remédio faz bem. “É uma doença viral. Eu estou usando uma medicação que está dando resultado.” Ele assegurou que a população de Rancho Queimado não teve nenhuma complicação em função do remédio e que se houver complicações, basta suspender o uso.
Falsa imagem da situação
O deputado Mauricio Eskudlark (PL) opinou que foi criada uma falsa imagem sobre o município de Rancho Queimado, enquanto há 22 municípios catarinenses que não registraram nenhum óbito, caso, por exemplo, de Mondaí, com 11 mil habitantes. “Temos municípios com população maior que Rancho Queimado que não tiveram nenhum óbito. Os senhores tiveram sorte de ter uma população mais isolada, que não tem tanta aglomeração. O tratamento não resolve, o que resolve é a vacina”, disse Eskudlark, que teve Covid-19. O deputado afirmou que fez uso dos chamados medicamentos para tratamento precoce por conta própria. “A hidroxicloroquina me causou um problema grave de estômago. Eu sou prova de que o tratamento precoce faz mal.”
A deputada Ada de Luca (MDB) relatou que também tomava hidroxicloroquina e vermífugo por conta própria, de 15 em 15 dias, e foi parar no hospital com problema cardíaco. “Pode ser um tratamento barato e populista, mas não é tratamento.” Na opinião da parlamentar, em Rancho Queimado, com alimentação e hábitos saudáveis, “até a imunidade das pessoas deve ser melhor”, o que pode ter contribuído para o que ela chamou de sorte. “Que o senhor continue com essa sorte, porque é uma sorte esse resultado.”
O deputado Dr. Vicente Caropreso (PSDB) lembrou que já houve outros impasses sobre medicamentos no Brasil e citou o caso da fosfoetanolamina, publicizada como pílula anticâncer, sem eficácia comprovada e que ainda continua sendo oferecida à população. “Cabe à Agência Nacional de Vigilância Sanitária [Anvisa] validar qualquer tratamento aplicado no país. Há um ano e meio estamos discutindo isso, mas a Anvisa é a instância que avalia a eficiência dos remédios comercializados e distribuídos à população brasileira.”




