Lula avança com campanha à luz do dia, enquanto Flávio escorrega pelos subterrâneos da política

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Em tudo diferentes, o presidente Lula e o adversário bolsonarista entram na etapa decisiva da campanha eleitoral com táticas igualmente distintas. O primeiro busca a luz do dia e a transparência de movimentos. O outro se mexe encoberto pelas sombras, realizando encontros suspeitos e contando com apoios inconfessáveis.

Flávio Bolsonaro procura os bastidores mais obscuros da política nacional. Na hora do voto, no próximo dia 25, ele sabe poder contar com o apoio decidido de grupos milicianos, que pressionam o voto livre em regiões populosas como a Baixada Fluminense, no Rio de Janeiro. Em São Paulo, o governador Tarcísio de Freitas e o prefeito da capital, Ricardo Nunes, jogam pesado na periferia da capital e nas cidades do interior, ativando cabos eleitorais que giram na órbita de suas máquinas de gestão.

Atuam pelo filho de Bolsonaro, no Nordeste, caudilhos como o deputado Arthur Lira, eleito senador por Alagoas ao superar pesquisas que, na véspera, lhe indicavam um insuficiente terceiro lugar na corrida para o Senado. No Distrito Federal, a rica campanha da governadora Celina Leão está toda dedicada a casar os votos dela com os de Flávio, com comitês eleitorais únicos nas cidades-satélites, localizados próximos a endereços eleitorais.

O sistema bolsonarista de pressão sobre o eleitor está montado e pronto repetir o desempenho que resultou, no primeiro turno, em uma avalanche de votos dados a candidatos de extrema-direita para as assembleias legislativas, Câmara dos Deputados e Senado Federal.

A preferência declarada do governo dos Estados Unidos, em seguidas manifestações do presidente Donald Trump e do secretário de Estado, Marco Rubio, é a nuvem negra que acompanha cada passo do candidato de extrema-direita. Até onde se sabe, mais de US$ 5 milhões foram dedicados pelo governo americano para organismos com laços atados a diferentes setores da campanha bolsonarista. Há fortes rumores de que, nesta fase final, ao menos um marqueteiro americano desembarcou na equipe que produz a campanha da oposição extremista no horário eleitoral.

Lula joga à luz do dia. A totalidade da militância petista, ampliada por grandes contingentes estudantis, despertou nas ruas, em diferentes cidades do País, massificando a campanha de reeleição. As demonstrações explícitas de adesão popular devem ser vistas, mais uma vez, no fim de semana que remete à reta final da disputa. Mesmo articulações políticas como a que resultou, ontem, na votação por 72 a 0 pelo fim da escala de trabalho 6×1, foram feitas sob amplo conhecimento, entre declarações à mídia e reuniões inclusive da oposição.

Enquanto o presidente fez uma opção radical por ir ao encontro do povo, Flávio escorregou pelos subterrâneos da política nacional. Do ponto de vista ético, Lula sai ileso e Flávio, com certificado de mentiroso. O debate de domingo entre eles, na Rede Globo, tem tudo para deixar claras, mais uma vez, estas diferenças. A escolha final na eleição mais dramática da história do País é também a mais fácil de todas. Nunca houve candidatos e campanhas tão díspares quanto Lula, Flávio e a maneira pela qual cada um escolheu chegar à frente nessa disputa.

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