Mendonça manda investigar Lulinha por suspeita de tráfico de influência

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O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, autorizou a Polícia Federal a abrir um inquérito para investigar Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, por suspeitas de corrupção e tráfico de influência em negócios de cannabis medicinal ligados ao Ministério da Saúde.

A PF enviou o pedido ao STF na sexta-feira (24). O caso foi distribuído a Mendonça na quarta-feira (29), após a Procuradoria-Geral da República avaliar que dados obtidos em quebras de sigilo indicavam possíveis crimes distintos das fraudes contra aposentados investigadas pela Operação Sem Desconto.

Os investigadores querem apurar se Lulinha atuou com a empresária Roberta Luchsinger e o lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, para favorecer a World Cannabis. O pedido menciona contatos com servidores do Ministério da Saúde e integrantes do gabinete da Presidência.

A empresa ligada ao Careca tentou negociar com o governo o fornecimento de medicamentos à base de canabidiol. Antunes e Roberta foram recebidos no Ministério da Saúde pelo então secretário-executivo Swedenberger Barbosa, atual chefe do Gabinete Adjunto de Gestão Interna da Presidência. O contrato, porém, não foi fechado, e nenhum produto da empresa foi comprado ou incorporado ao SUS.

A defesa de Lulinha confirmou anteriormente que ele viajou a Portugal com o Careca do INSS, em novembro de 2024, para conhecer uma fábrica de medicamentos de canabidiol. As despesas foram pagas pelo lobista, mas os advogados afirmam que a viagem não resultou em investimento, associação empresarial ou contrato com o governo.

Marco Aurélio de Carvalho, advogado de Lulinha, classificou a abertura da nova frente como “pesca probatória”. Ele afirmou que a PF não encontrou relação direta ou indireta do filho do presidente com as fraudes do INSS e passou a procurar possíveis irregularidades em outro setor.

A defesa de Roberta nega que ela tenha repassado dinheiro a Lulinha e afirma que seu trabalho para o Careca se limitou a uma consultoria regular sobre o mercado de cannabis medicinal. Swedenberger também sustenta que a reunião foi institucional, registrada em agenda pública e sem qualquer orientação política. O novo inquérito deverá verificar se os contatos e pagamentos identificados configuraram corrupção ou tráfico de influência.

Fonte DCM

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