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Em dezembro de 2021, o motorista Elias Mariozam Martendal, embriagado invadiu a pista contrária e bateu de frente com outro veículo. Com o choque, duas pessoas perderam a vida e outras seis ficaram feridas. O acidente envolveu dois carros, um Ford/Ecosport com placas de Joinville, e um Fiat/Punto, com placas de São Bento do Sul. A colisão vitimou primeiramente Alícia Bindeman, de cinco anos, que chegou a ser socorrida, mas não resistiu aos ferimentos. Ela viajava com a família no veículo de Joinville e era filha da jornalista Michelle Bindemann.
Já o passageiro do veículo, apontado como responsável pelo acidente, um médico veterinário, morreu após ficar uma semana em internação hospitalar.
Após denúncia do Ministério Público de Santa Catarina, o réu foi condenado pelo Conselho de Sentença a 20 anos de prisão por dois homicídios com dolo eventual, embriaguez ao volante e lesão corporal em seis vítimas.
Em uma sessão do Tribunal do Júri da Comarca de Rio Negrinho que durou mais de 12 horas, um homem denunciado pelo Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) foi condenado por dois homicídios simples, embriaguez ao volante e por causar lesão corporal em outras seis vítimas. Elias Mariozam Martendal foi sentenciado a 20 anos, sete meses e 15 dias de reclusão em regime inicial fechado, 10 dias-multa, além da suspensão da sua habilitação por dois meses e seis dias.
A Promotora de Justiça Juliana Degraf Mendes, da 2ª Promotoria de Justiça da Comarca de Rio Negrinho, argumentou ao Conselho de Sentença que “não se trata de um mero acidente, mas sim de um crime com dolo eventual. Ao tomar a decisão de dirigir embriagado por uma rodovia federal, de Mafra até São Bento do Sul, o réu criou e assumiu o risco de causar mortes e ferimentos nas outras pessoas que trafegavam pela estrada”.
De acordo com a instrução processual, após a colisão, o acusado foi abordado pela Polícia Rodoviária Federal e recusou fazer o teste do bafômetro. Mesmo sem ter feito o teste, os policiais constataram que ele apresentava odor de álcool no hálito, olhos vermelhos, sonolência, dificuldade de equilíbrio, sudorese, estava disperso, tinha a fala desconexa e não sabia informar o seu endereço nem o local onde estava.
No início da tarde, próximo das 13h45, o acusado aceitou submeter-se ao teste de bafômetro. Quase oito horas depois de sua abordagem pela polícia, o bafômetro registrou que ainda havia presença de álcool em seu organismo, na concentração de 0,25 mg/L².
Os jurados acataram integramente as teses do MPSC e condenaram Elias conforme a denúncia. Cabe recurso da decisão, porém o réu permaneceu preso durante todo o transcorrer do processo e foi negado a ele o direito de recorrer em liberdade.
Familiares presentes
Os familiares das duas vítimas acompanharam toda a sessão do Tribunal do Júri. Eles vestiam camisetas com fotos e mensagens pedindo justiça. Após a sentença, Michele Bindemann, mãe da menina de cinco anos que perdeu a vida no crime, falou em suas redes sociais que está muito satisfeita com o resultado.
“Era o que eu esperava, crime doloso, pois ele assumiu o risco de matar e recebeu mais de 20 anos em regime fechado. Estou muito em paz e muito tranquila com essa decisão. Foi um dia muito difícil, mas acredito que a partir de agora terei paz no meu coração para tentar seguir a minha vida e honrar a vida




