Nikolas, Flávio, Magno e Osmar Terra ressuscitam negacionismo em plena campanha de multivacinação

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A militância ligada ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) intensificou nos primeiros dias de agosto a circulação de conteúdos negacionistas contra a vacinação — e o gesto ganhou peso porque partiu diretamente do pré-candidato à Presidência. Flávio compartilhou, em suas redes, um vídeo do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) que questiona o número de mortes por covid-19 e a segurança da vacinação em massa.

Não foi um episódio isolado. Outros parlamentares alinhados seguiram a mesma linha: o senador Magno Malta (PL-ES) e o deputado federal Osmar Terra (PL-RS), figura recorrente do discurso antivacina desde 2020, também impulsionaram publicações negacionistas na mesma semana.

A ofensiva coincide com a Campanha Nacional de Multivacinação, que começou no dia 3 de agosto e vai até 1º de setembro para atualizar a caderneta de crianças e adolescentes. Ou seja: o esforço público para reforçar coberturas vacinais está sendo enfrentado por uma onda coordenada de desinformação de dentro da bancada bolsonarista.

Método antigo, contexto novo

O vídeo de Nikolas Ferreira compartilhado por Flávio traz alegações já refutadas pela comunidade médica: que a hidroxicloroquina teria salvado milhões, que um problema pulmonar do infectologista Anthony Fauci teria sido causado pela vacina, e menções a “partes de bebês” em pesquisas. O gatilho externo foi a audiência recente de Fauci no Congresso americano, aproveitada pelos aliados de Jair Bolsonaro para recolocar a pandemia no centro do debate político.

O método, segundo análise da Agência Lupa, é sempre o mesmo: parte-se de um fato verdadeiro, adiciona-se uma insinuação, e chega-se a uma conclusão que o fato original não sustenta.

Sarampo volta ao mapa

O timing preocupa autoridades sanitárias. Em 2026, o estado de São Paulo já registrou 15 casos oficiais de sarampo, doença cuja transmissão dependia de vacinação em massa para permanecer contida. Nos Estados Unidos, o cenário é ainda pior: mais de 2,3 mil casos de sarampo em 44 dos 50 estados neste ano — o pior registro em 35 anos, associado diretamente ao negacionismo do governo Trump e à queda de confiança na vacinação estimulada pela extrema-direita americana.

Do lado brasileiro, o padrão que sustentou os atos golpistas de 8 de janeiro de 2023 se repete: uso orquestrado de desinformação por aliados próximos do ex-presidente para fabricar desconfiança institucional. A investigação da Polícia Federal identificou justamente esse fluxo — de canais e influenciadores alimentando teses que servem à contestação de resultados eleitorais.

Enquanto Flávio Bolsonaro tenta projetar uma imagem de moderação em Brasília, sua base digital roda no sentido oposto: recupera o repertório antivacina do período pandêmico para mobilizar eleitor da extrema direita a três meses das eleições. A conta desse recuo sanitário quem paga é a saúde pública — e, no limite, o próximo surto.

Fonte O Cafezinho

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