Outorga onerosa poderá contribuir para ilhas de calor em Joinville

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Um novo estudo científico recém-publicado indica que o aquecimento global pode ter um efeito ainda mais intenso dentro das cidades do que o previsto por modelos climáticos tradicionais.

A pesquisa, publicada na prestigiada revista científica “Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS)”, analisou 104 cidades de porte médio em regiões tropicais e subtropicais, e concluiu que, em cerca de 81% delas, a temperatura urbana tende a subir mais rapidamente do que nas áreas rurais em seu entorno.

O fenômeno por trás desse resultado é conhecido como ilha de calor urbana. Cidades tendem a reter mais calor do que áreas rurais por causa da presença de concreto, asfalto e edifícios, além da menor quantidade de vegetação. Esses materiais absorvem energia durante o dia e liberam calor lentamente à noite, mantendo as temperaturas elevadas.

O trabalho utilizou projeções climáticas combinadas com modelos estatísticos e técnicas de aprendizado de máquina para estimar os fatores como a chuva, a umidade e a vegetação influenciam o aquecimento urbano.

Em parte das cidades avaliadas, o aumento de temperatura pode chegar a ser até o dobro da registrada nas áreas rurais.

No Brasil, a presença de vegetação e da maior disponibilidade de umidade, ajudam a reduzir a intensidade da chamada ilha de calor urbana. Ainda assim, o estudo mostra que essas cidades continuam aquecendo junto com o clima regional, o que pode aumentar a frequência de dias muito quentes e de noites abafadas.

Os pesquisadores destacam que mesmo variações aparentemente pequenas podem ter impacto relevante na vida cotidiana. Em cidades já quentes, um aumento adicional de alguns décimos de grau pode agravar a situação, com efeitos sobre saúde, consumo de energia e qualidade de vida.

Os pesquisadores também ressaltam que o estudo não considerou a expansão futura das cidades. E caso áreas urbanizadas continuem crescendo nas próximas décadas, o aquecimento local pode ser ainda maior do que o estimado.

Ilhas de calor em Joinville

Em setembro de 2019, foi aprovada pela Câmara de Vereadores de Joinville, uma lei que permite que em algumas áreas da cidade, se possa erguer edificios com até 90 metros de altura, ou seja, com mais de 30 andares. Antes da lei, a altura máxima era de 45 metros.

O projeto de lei original previa uma altura máxima até 50% do que já era permitido, desde que o interessado em aumentar o números de andares, arcasse com uma contrapartida sobre a metragem que ultrapassasse o previsto em lei (outorga onerosa). Porém, uma emenda do então vereador Maurício Peixer, alterou o Projeto de Lei e permitiu que os emprendimentos pudessem explorar até 100% da altura prevista.

A justicativa foi o chamado adensamento urbano, que poderá trazer consigo situações indesejavéis a médio e longo prazo para os moradores que já residem ou pretendem se instalar nestes locais. Uma massa de concreto emergindo ao lado dos edifícios já existentes, prejudicará a ventilação,  transformando negativamente o aspecto agradável que a cidade possui nessas regiões.

Diminuição dos recuos

Outro problema que certamente contribuirá para a formação de ilhas de calor em Joinville, diz respeito aos limites para construção. Durante os governos anteriores, o planejamento urbano não descuidava de uma preocupação real; o fato de Joinville ser uma cidade muito quente e úmida, efeito natural que somente poderia ser amenizado com mais arborização nas ruas e limites nas edificações.

Estes limites se deram com afastamentos que possibilitariam maior ventilação, Diante disso se estabeleceu os recuos escalonados, ou seja, a medida que o prédio ficasse mais alto seria necessário aumentar os recuos laterais e nos fundos, até atigir 8 metros para a altura máxima de 45 metros

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