Paciente do Hospital Municipal São José é o primeiro a recebe polilaminina na região

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Em um pequeno frasco, a esperança de um recomeço: um paciente do Hospital São José, em Joinville, foi o primeiro a receber a polilaminina na região Norte de Santa Catarina. A aplicação da substância em fase de estudos para o tratamento de lesões medulares ocorreu nessa quinta-feira (23), com a participação da equipe da ortopedia do Hospital São José, de um neurocirurgião de Foz do Iguaçu e de um médico aluno de doutorado da pesquisa do Rio de Janeiro.

O paciente é um jovem de 21 anos que sofreu um acidente de motocicleta no último domingo (19). No mesmo dia, ele foi encaminhado ao Hospital São José, onde foi diagnosticado com lesão medular aguda completa que ocasionou a paraplegia, perda total de função motora e da sensibilidade das pernas e de parte do tronco.

Contato com o Laboratório

A partir da sugestão de uma das médicas do hospital, a irmã do paciente entrou em contato com o Laboratório Cristália, responsável pela produção da polilaminina. A substância está em fase de estudos e, por isso, não está disponível para venda nem para uso no SUS. O acesso ao tratamento ocorre por meio do Programa de Uso Compassivo, autorização concedida pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) que permite a disponibilização de produtos de terapia avançada em fase de desenvolvimento.

“Eu entrei em contato com o laboratório achando que seria impossível. Eles foram atenciosos, perguntaram sobre o acidente, pediram dados do paciente, prontuário, laudo médico, tempo do acidente. Mandei isso e em menos de 30 minutos eles deram retorno dizendo que ele parecia ser elegível para receber a polilaminina”, detalha Débora Souza, irmã do paciente.

Protocolos

Com a aprovação inicial, o médico especialista em cirurgia da coluna vertebral Alberto Kazuo Miyamoto e o ortopedista residente Ângelo Gubert Jacomel, que integram a equipe médica do paciente no Hospital São José, reuniram a documentação necessária e passaram a fazer contato com a equipe do estudo.

“Nós temos que atender aos protocolos de inclusão no programa e somente após a aprovação da equipe de pesquisa que o medicamento é liberado para que a equipe vinculada ao programa de pesquisa venha até nós”, explica Alberto.

Aprovação

Com a aprovação do paciente para receber a polilaminina pelo laboratório, o pedido de aplicação ainda foi submetido à Anvisa. Foi a última etapa antes da realização do procedimento que reacendeu a esperança da família em uma recuperação melhor para o paciente.

“A gente está bem ciente da gravidade do caso, mas temos esperança de que se ele não voltar a ter todos os movimentos, que tenha autonomia no cotidiano, que a medicação consiga manter a medula saudável após ter sofrido muitas lesões. Nosso milagre a gente já recebeu porque ele está vivo e o segundo é receber a medicação. Se Deus quiser dar pra gente o terceiro milagre, que é recuperar os movimentos, a gente tem fé”, diz a irmã.

Como funciona a aplicação da polilaminina

A aplicação da polilaminina é realizada apenas em pacientes que atendem aos requisitos. “O paciente foi elegível porque sofreu um traumatismo raquimedular em uma fase aguda, bem precoce, e um trauma dorsal nas vértebras, o que o engloba nos nossos protocolos de aplicação”, conta o neurocirurgião João Sarraf, que aplicou a polilaminina e integra a equipe da pesquisadora Tatiana Sampaio.

Ele explica que a polilaminina é diluída e aplicada sobre a lesão do paciente. “A gente aplicou nas duas extremidades para fazer como uma ponte para a medicação agir de forma mais eficaz”, complementa.

Resultados serão avaliados

O procedimento foi acompanhado por técnicos, enfermeiros e médicos do hospital joinvilense. “O Hospital São José é um hospital porta aberta, então a maioria dos traumas da região chega pra nós. Não teria outro lugar que desse pra fazer isso e a estrutura daqui permitiu que a gente executasse corretamente”, diz o médico Alberto Kazuo Miyamoto.

Antes da aplicação da polilaminina, o paciente já havia passado por uma cirurgia para fixar a fratura. Ele segue internado em estado estável no Hospital São José, onde é acompanhado por uma equipe de ortopedistas e fisioterapeutas. Apesar de não fazer parte do estudo clínico, o paciente terá os resultados avaliados também pelos pesquisadores do Rio de Janeiro.

“O procedimento representa um marco para a assistência SUS a nível de Brasil, Santa Catarina e Joinville. O Hospital São José já é referência em alta complexidade e isso mostra cada vez mais a qualidade do serviço de ortopedia prestado pelo São José”, destaca o diretor-presidente do hospital, Arnoldo Boege Junior.

O que é a polilaminina

A polilaminina é a versão polimerizada (quimicamente unida) da laminina, proteína naturalmente encontrada no corpo humano. Para a produção da polilaminina, a laminina é extraída de placentas e levada ao laboratório para a formulação do medicamento.

Estudos indicam que a polilaminina cria uma espécie de malha por onde os axônios, neurônios que caminham pela medula espinhal, reconectam-se e restabelecem a transmissão de comandos entre o cérebro e o restante do corpo. Dessa forma, pessoas com lesão medular podem recuperar parcial ou totalmente os movimentos.

Como a aplicação da polilaminina está em fase de estudos, a substância não está disponível no Hospital São José ou em outras unidades hospitalares, e seu uso é realizado mediante avaliação da equipe e autorização da Anvisa.

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