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16/07/2026A Comissão de Saúde da Câmara de Vereadores de Joinville, se reuniu nesta quarta-feira (15), para debater estratégias de controle e prevenção da esporotricose. O encontro acendeu um alerta para o avanço expressivo da zoonose, doença transmitida de animais para humanos, que registrou um aumento expressivo de diagnósticos em felinos e seres humanos no primeiro semestre deste ano em Joinville.
Tratamento domiciliar
Durante a reunião, representantes da Secretaria de Saúde e do Centro de Bem-Estar Animal (CBEA) detalharam o fluxo de atendimento do município, que hoje divide os esforços entre o tratamento domiciliar para animais com tutores e o acolhimento clínico para os chamados “animais errantes” (sem donos). A falta de responsabilidade da população e o abandono de animais foram apontados como os principais obstáculos no combate ao fungo transmissor.
De acordo com os dados apresentados pela diretora de Vigilâncias da Secretaria de Saúde de Joinville, Maria Cristina Willemann, o crescimento da doença nos últimos anos é preocupante. Em 2022, o município registrava apenas 12 gatos e 2 humanos com a doença confirmada. Apenas na primeira metade de 2026, esse número saltou para 204 felinos e 26 pessoas infectadas.
Cristina explicou que o tratamento domiciliar se destina aos gatos que têm tutor: “Nós temos incentivado o tratamento domiciliar desse gatinho, a vigilância ambiental então faz a entrega do medicamento para o tratamento do gato em casa, então é um comprimidinho, o tutor é orientado e recebe todo o apoio para fazer o tratamento do gato em casa”.
Animais errantes
Mas para os bichinhos “errantes”, o tratamento acontece em clínicas credenciadas pelo município: “Quando o gato não tem tutor, então nós estamos organizados para que esse gatinho seja acolhido pelo CBEA. Esse animal então é recolhido e enviado para clínicas que nós temos; veterinárias contratadas que mantêm esse tratamento do gatinho e o gato sob cuidado”, detalhou Cristina.
A diferença de custos entre as abordagens é significativa:
– Tratamento domiciliar (para animais com tutor): o município destinou cerca de R$ 38 mil na compra de medicamentos distribuídos diretamente às famílias.
– Tratamento em clínicas (para animais errantes): a internação de animais sem tutor custou cerca de R$ 2,3 milhões aos cofres públicos.
Castração gratuita como prevenção
A diretora do CBEA, Elisabet de Sousa Mendes, enfatizou que o principal motor de disseminação da esporotricose são as brigas de rua entre felinos por território ou por fêmeas no cio. Por isso, a castração desponta como a medida preventiva mais eficaz.
Segundo Elisabet, o custo de manutenção de um animal doente internado em clínica conveniada chega a quase R$ 3,5 mil mensais, em tratamentos que duram de seis a oito meses. Ela lembrou que o município é referência por assumir o tratamento dos animais de rua, mas fez um apelo à colaboração da sociedade.
“Então, se as pessoas tivessem consciência, mantivessem seus animais na sua casa; telados e castrados, a gente teria muito mais controlados esses números. Hoje, em Joinville, só não castra seus animais quem não quer. E essa é uma fala que a gente tem repetido muito, porque a castração evita várias doenças, inclusive a esporotricose”, alertou Elisabet.
Fluxo de atendimento
A vereadora Liliane da Frada (Podemos), que propôs o debate, alertou que a falta de informação ainda gera confusão na comunidade sobre qual órgão acionar ao se deparar com um animal doente. Ela lembrou que a esporotricose é uma zoonose grave e que a conscientização coletiva é urgente. Como exemplo, citou casos graves registrados no país e o caso de uma protetora local que perdeu a audição em um dos ouvidos após contrair a infecção.
Para organizar o atendimento, as autoridades detalharam o fluxo oficial de assistência:
– Animais errantes: o cidadão deve registrar a ocorrência pelo canal de Ouvidoria 156 ou diretamente com o CBEA. O animal será recolhido e encaminhado para tratamento em clínica contratada.
– Animais com tutor: se o animal com dono apresentar sintomas, deve-se abrir uma solicitação na Ouvidoria (156). A equipe de saúde ambiental irá até a residência para realizar o teste e, se confirmado, fornecer o medicamento para tratamento em casa.
– Solicitação de castração gratuita: o agendamento da ficha de castração pode ser feito de forma prática pelo WhatsApp (47) 98880-1911.
Entenda a doença
A esporotricose é causada por um fungo que se aloja na natureza, principalmente em madeiras úmidas e solo. Os gatos se contaminam ao afiar as unhas nesses locais e, posteriormente, transmitem o fungo para outros felinos em brigas de rua.
Os humanos contraem a doença através de arranhões ou mordidas de animais infectados, desenvolvendo feridas graves na pele. Contudo, humanos doentes não transmitem a esporotricose para outras pessoas.




